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Franquia no seguro TVDE: quanto deve mesmo aceitar?

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Equipa editorial AutoTVDE
27 de agosto de 2026, 10:00 7 min de leitura
Franquia no seguro TVDE: quanto deve mesmo aceitar?

Uma colisão ligeira, dois painéis danificados e uma reparação de 1.800 euros: se a franquia do seguro TVDE for de 1.500 euros, a seguradora quase não entra na conta. Este artigo explica como comparar franquias, prémios e coberturas sem olhar apenas para o valor anual do seguro. A escolha certa depende da utilização da viatura, da liquidez disponível e da capacidade da operação para absorver acidentes.

O que significa realmente a franquia no seguro TVDE

A franquia é a parte do prejuízo que fica a cargo do segurado quando uma cobertura é acionada. Pode ser apresentada como um valor fixo ou como uma percentagem, consoante a apólice e a cobertura. Não se aplica necessariamente da mesma forma a todas as situações: danos próprios, quebra isolada de vidros, furto ou fenómenos naturais podem ter condições diferentes.

Há outro detalhe que costuma criar confusão. A franquia não deve ser confundida com o limite da cobertura nem com o valor seguro do automóvel. Um carro pode estar corretamente valorizado e, ainda assim, ter uma franquia tão elevada que pequenos acidentes ficam praticamente fora da proteção útil da apólice. Antes de comparar propostas, convém pedir ao mediador ou à seguradora uma explicação por escrito sobre quando cada franquia é aplicada.

Uma franquia só é barata enquanto a frota conseguir pagá-la sem atrasar salários, rendas, impostos ou reparações.

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Prémio mais baixo não significa seguro mais barato

Aumentar a franquia costuma reduzir o prémio. A proposta parece melhor porque a poupança é imediata e aparece claramente no orçamento anual. O risco fica escondido: só surge quando há um sinistro. Para decidir bem, é preciso comparar a diferença de prémio com o aumento da responsabilidade financeira assumida pela empresa.

Imagine duas propostas para a mesma viatura. A segunda permite poupar algumas centenas de euros por ano, mas aumenta a franquia em mais de mil euros. Se ocorrer um único acidente coberto por danos próprios, podem ser necessários vários anos sem sinistros para recuperar essa diferença. O cálculo deve ser feito com os valores reais apresentados pela seguradora, e não com uma regra geral, porque preços e critérios de aceitação variam bastante entre veículos, condutores e empresas.

Também interessa perceber se a franquia é calculada sobre o valor do dano ou sobre o valor seguro do veículo. Numa apólice com percentagens, essa diferença pode alterar bastante o montante suportado. Peça sempre uma simulação em euros para um sinistro pequeno, um médio e uma perda total. Uma percentagem isolada diz pouco a quem precisa de gerir tesouraria.

Como escolher uma franquia para uma viatura TVDE

Um automóvel TVDE passa muitas horas na estrada, circula frequentemente em zonas urbanas congestionadas e faz dezenas de paragens por turno. Toques em para-choques, danos em portas e colisões de baixa velocidade não são cenários improváveis. Uma franquia adequada a um carro particular usado ao fim de semana pode ser excessiva numa viatura que trabalha diariamente.

A decisão deve considerar, pelo menos, estes elementos:

  • Fundo disponível: a empresa deve conseguir pagar a franquia e iniciar a reparação sem depender da faturação da semana seguinte.
  • Número de viaturas: numa frota, dois acidentes próximos podem obrigar ao pagamento de duas franquias, mesmo que cada valor pareça aceitável isoladamente.
  • Histórico de sinistros: a frequência e o tipo de danos dos últimos anos ajudam mais do que uma estimativa otimista.
  • Perfil dos condutores: rotatividade elevada, pouca experiência no modelo ou turnos noturnos podem aumentar a exposição ao risco.
  • Valor e idade do carro: numa viatura de menor valor comercial, uma franquia alta pode tornar a cobertura de danos próprios pouco útil em muitas reparações.
  • Custo da imobilização: além da franquia, existem receita perdida, eventual viatura de substituição e tempo de gestão do processo.

A minha recomendação é simples: a franquia máxima deve caber num fundo reservado a sinistros, sem consumir o dinheiro necessário para a operação corrente. Numa frota, esse fundo não deve prever apenas um acidente. É prudente testar o efeito de dois sinistros no mesmo mês, sobretudo quando vários carros trabalham em horários e zonas semelhantes.

Nem todas as coberturas justificam a mesma escolha

A responsabilidade civil obrigatória responde pelos danos causados a terceiros dentro das condições e limites aplicáveis. Já os danos no próprio veículo dependem das coberturas contratadas. Para TVDE, a apólice tem de refletir corretamente o uso profissional da viatura; um seguro preparado para utilização particular pode não corresponder ao risco efetivo da atividade. As exigências em vigor e o conteúdo da proposta devem ser confirmados junto da seguradora, do mediador e das fontes oficiais.

Ao negociar a franquia, separe as coberturas. Uma franquia elevada em colisão pode ser tolerável para uma empresa com boa liquidez, mas uma franquia pouco favorável na quebra de vidros merece outra análise. Um para-brisas danificado pode retirar rapidamente o carro do serviço, e certos modelos têm câmaras ou sensores que exigem calibração após a substituição. O preço já não se resume ao vidro.

Leia também as condições relativas a atos de vandalismo, furto, incêndio, fenómenos naturais e assistência em viagem. Confirme se existe veículo de substituição, durante quanto tempo e se pode ser utilizado na atividade TVDE. Ter direito a um automóvel que não pode operar legalmente ou não cumpre os requisitos das plataformas resolve pouco.

Evitar conflitos entre operador e condutor

Quando a viatura é entregue a um motorista, a franquia não deve aparecer como surpresa depois do acidente. O contrato e as regras internas devem indicar como são comunicados os sinistros, quem contacta a assistência, que documentos são recolhidos e como é tratada qualquer responsabilidade financeira do condutor. Essa redação deve respeitar a legislação aplicável e ser validada por um profissional quando existam dúvidas.

Não é sensato descontar automaticamente uma franquia sem apurar as circunstâncias, a responsabilidade e a base contratual. Há acidentes provocados por terceiros, danos sem culpa determinada e situações em que a seguradora recupera valores. Fotografias do local, declaração amigável quando aplicável, identificação de testemunhas e comunicação rápida reduzem discussões e atrasos.

Antes da renovação, reúna os prémios pagos, franquias suportadas, custos de reparações não participadas e dias de imobilização. Essa conta mostra o custo real do risco. Escolher uma franquia no seguro TVDE não é procurar o número mais baixo nem o prémio mais barato; é garantir que um acidente comum não se transforma num problema de tesouraria maior do que o próprio dano.

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A equipa editorial AutoTVDE escreve sobre TVDE, gestão de frotas, carros e tudo o que rodeia quem vive da estrada em Portugal.